Primeiro-Ministro timorense, Taur Matan Ruak. Imagem Tatoli/Egas Cristovão.

DÍLI, 24 de junho 2021 (TATOLI) – O Primeiro-Ministro timorense, Taur Matan Ruak, disse que a abstenção na votação sobre o golpe militar em Mianmar constitui uma lição para o futuro.

O Chefe do Governo falava à margem do encontro com o Presidente da República, Francisco Guterres Lú Olo, no Palácio Presidencial, em Aitarak-Laran, Díli.

“Num país democrático, a opinião dos cidadãos sobre o voto de abstenção do Estado de Timor-Leste na situação em Mianmar é muito importante. O Governo regista estas preocupações”, afirmou Matan Ruak.

O Chefe do Executivo recordou ainda que a abstenção do Estado timorense sobre a situação de Mianmar pertence ao passado. “O Governo considera [a abstenção] como uma lição para o futuro”.

“O nosso voto é facto consumado, mas não substitui os valores e os princípios que Timor-Leste abraça como um país democrático, respeitador dos direitos humanos, da reconciliação e da solução pacífica para um problema sem recorrer à a violência. Timor-Leste defende estes valores”, referiu.

Recorde-se que o Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação (MNEC) timorense clarificou que a sua abstenção à Resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) contra o golpe militar em Mianmar se deve à falta de posição comum entre os Estados membros da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).

A Ministra dos Negócios Estrangeiros, Adaljiza Magno, afirmou que a abstenção de Timor-Leste na votação da  Resolução da ONU está de acordo com a consistência da política externa do Estado timorense.

“Timor-Leste tem expressado o seu voto de abstenção sobre a resolução do problema de Mianmar desde 2010. Assim, a votação em Nova Iorque mostrou a consistência da política externa do Estado timorense, que ainda não se alterou”, avançou a governante.

O MNEC esclareceu que Timor-Leste, como país democrático, não apoia a declaração do estado de emergência pelas Forças Armadas de Mianmar a 01 de fevereiro de 2021 e ações subsequentes contra o Governo eleito pelos civis.

Esta posição foi refletida na declaração de Timor-Leste a 12 de março de 2021, durante a 46ª sessão do Conselho de Direitos Humanos, onde o país expressou a sua preocupação com a situação dos direitos humanos em Mianmar e pediu a libertação de detidos arbitrariamente, incluindo prisioneiros políticos.

Recorde-se que o ex-Prémio Nobel da Paz de 1996, José Ramos Horta, lamentou a posição de Timor-Leste, a abstenção sobre a resolução.

José Ramos Horta notou que o MNEC não consultou o Primeiro-Ministro, Taur Matan Ruak, nem o Presidente da República, Francisco Guterres Lú Olo, sobre a política internacional de Timor-Leste.

“A maioria dos países da ASEAN, como Indonésia, o próprio Mianmar, Filipinas, Singapura, Vietname e os Estados membros da CPLP, como Portugal, Guiné-Bissau, Brasil, entre outros votaram a favor, e Timor-Leste absteve-se. Isso afeta a nossa credibilidade”, disse Ramos Horta, em declaração aos jornalistas, na sua residência no Farol.

Ex-titulares manifestaram as suas dúvidas sobre a linha de coordenação entre o MNEC, o Primeiro-Ministro e o Presidente da República.

Na aprovação final da resolução da ONU sobre o conflito em Mianmar, 119 países votaram a favor, um contra (Bielorrússia) e registaram-se 36 abstenções, incluindo a de Timor-Leste.

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Jornalista: Domingos Piedade Freitas

Editora: Maria Auxiliadora

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