Bandeira de Timor-Leste. Foto: Publico.

DÍLI, 07 de setembro de 2021 (TATOLI) – O Ministro da Educação, Juventude e Desporto (MEJD), Armindo Maia, disse hoje que Timor-Leste não celebrará amanhã o Dia Mundial da Alfabetização por causa da implementação do confinamento domiciliário obrigatório em Díli.

O tema da celebração da data neste ano é “Alfabetização para uma recuperação centrada no ser humano: Reduzindo a exclusão digital”.

“Em nome do Ministério da Educação, Juventude e Desporto quero lembrar a todos que a educação não conhece idades. Apelo também aos pais, jovens e adultos que não tiveram oportunidade de aprender nas escolas que aproveitem a tecnologia para serem capazes de escrever e ler. A educação é muito útil para a vida”, disse o ministro.

Segundo a Resolução do Governo n.º 2/2007, sobre a criação da Comissão Nacional de Alfabetização, o analfabetismo entre adultos em Timor-Leste atinge números excessivamente elevados – cerca de 50%, ou seja, mais de 275 mil pessoas.

A situação constitui um dos maiores obstáculos para o desenvolvimento do país, em particular no que se refere a melhorias sustentáveis nos setores da saúde e da produtividade bem como no sucesso da educação das crianças.

De acordo com os resultados do Censos de 2015, cerca de 253 mil pessoas com mais de 15 anos tinham baixos níveis de alfabetização e mais de 17 mil pessoas foram alfabetizadas graças à campanha nacional do Programa de Alfabetização levada a cabo pelo Governo cubano.

Já os dados dos Censos Agrícolas de 2018 revelam que a taxa de alfabetização de adultos é de 68,07% e a de pessoas com idade entre 15 e 21 é de 83,54%.

Recorde-se que o Presidente da República, Francisco Guterres Lú Olo, pediu, a 13 de julho, ao embaixador designado para Cuba, Eusébio Corsino, que continuasse a desenvolver boas relações diplomáticas com o Governo cubano para retomar a campanha nacional do Programa de Alfabetização sob o lema “Sim, eu posso”.

O Terceiro Secretário da Embaixada de Cuba em Timor-Leste, José Ernesto Díaz Pérez, disse, por sua vez, que o Governo cubano pretende retomar a iniciativa que beneficiou 90% da população timorense durante a sua implementação nos anos entre 2008 e 2013.

Já a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) diz, na nota de imprensa a que a Tatoli teve acesso, que, apesar dos progressos, os desafios da alfabetização permanecem, entre eles a pandemia da covid-19, que tem prejudicado a aquisição de competências básicas de alfabetização em pelo menos 773 milhões de jovens e adultos.

“A crise da covid-19 tem interrompido a aprendizagem de crianças, jovens e adultos numa escala sem precedentes. Também ampliou as desigualdades pré-existentes no acesso a oportunidades significativas de alfabetização, afetando desproporcionalmente 773 milhões de jovens e adultos não alfabetizados”, recorda.

O documento destaca ainda que, mesmo em tempos de crise global, têm sido feitos esforços para encontrar alternativas que garantam a continuidade da aprendizagem, incluindo o ensino a distância, muitas vezes em combinação com aulas presenciais.

“O acesso a oportunidades de alfabetização, no entanto, não foi distribuído de maneira uniforme. A rápida mudança para o ensino a distância também destacou a persistente divisão digital em termos de conectividade, infraestruturas e capacidade de se envolver com a tecnologia, bem como disparidades em outros serviços, como acesso à eletricidade, o que leva a opções de aprendizagem limitadas”, conclui a nota.

Jornalista: Afonso do Rosário

Editor: Zezito Silva

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