Vicente Paulino.

Por

Vicente Paulino

Alma dos falecidos em festa,

velhos, jovens e crianças,

começam a acordar na tarde da noite,

abrem portas de suas casas,

reunir-se na varanda a espera das visitas,

quase a chegar nossos parentes vivos.

 

Alma dos falecidos em festa,

de longe começam a ver,

parentes vivos de mãos dadas,

trazendo presentes favoritos.

Alma dos falecidos com alegria dizendo,

entram e sentam meus queridos vivos.

 

Alma dos falecidos em festa,

encontro realizado, presentes oferecidos e recebidos.

conversas iniciadas com gestos vários,

mascando bételes e arecas,

saudades colmatadas com tristes-alegres,

abraçando silenciosamente na mente,

abraços de amor deixados que recordados de novo.

 

Alma dos falecidos em festa,

disse aos parentes visitadores

avós, tios e sobrinhos, netos e bisnetos,

onde eles estão? eles não vêm?

Respondem parentes visitadores,

eles não podem vir, estão ocupados!

 

Alma dos falecidos em festa,

fique triste de ouvir essa notícia,

parece que eles não pensam em nós.

parentes visitadores justifiquem,

eles não vêm, mas alegrai-vos

porque presentes dourados deles estão aqui,

p’ra vos entregar e não fiqueis tristes por isso.

 

Alma dos falecidos em festa,

vamos, vamos reunir na praça popular,

fazendo tebedai com velhas iluminadas,

tocando tambor misterioso,

cantando alegremente,

Dizendo, o nosso dia de festa chegou.

Vamos festejar com nossos parentes visitadores.

 

Alma dos falecidos em festa,

vamos, vamos bailando na nossa praça.

Vamos, vamos enfeitar nossa casa com flores diversas, oferecidas pelos parentes nossos.

Vindo do reino dos homens,

que também era do nosso lar vivido.

 

Na hora de despedida,

alma dos falecidos encoraja,

não chorais meus parentes,

voltais ao vosso mundo,

fazeis deveres vossos com honestidade,

não esqueceis que alma nossa está no vosso ser.

 

Não chorais meus parentes,

porque há-de vir um tempo dourado

que vos façais viver eternamente connosco.

Acreditais nisso e regressais ao vosso lar,

não olhais p’ra tráz.

Há-de vir um dia, há-de vir.

Maliana, 1 de Novembro 2021.

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