TDO condena ex-Padre Richard Daschbach a 12 anos de prisão. Imagem//Abílio Elo Nini.

OÉ-CUSSE, 21 de dezembro de 2021 (TATOLI) – O Tribunal Distrital de Oé-Cusse (TDO) condenou esta terça-feira o ex-padre Richard Daschbach a 12 anos de prisão por crimes de abuso sexual a quatro menores no orfanato de Topu Honis.

Segundo o juiz Yudi Pamukas, o suspeito foi considerado culpado de cinco crimes de abuso sexual a quatro menores, pelo que o tribunal impôs uma pena de prisão única de 12 anos, de entre penas parcelares de mais de 37 anos.

O advogado de defesa do ex-padre, Miguel Faria, realçou que se irá coordenar com a família e órfãos para apresentar recurso.

“Hoje, o tribunal aplicou uma sentença cumulativa no seguimento das declarações de quatro lesadas, que provaram que o suspeito cometeu abuso sexual, pelo que o tribunal o condenou a 12 anos de prisão”, afirmou.

Miguel Faria revelou que “não estamos satisfeitos porque o testemunho direto da responsável pelo orfanato e as declarações dos órfãos não foram avaliadas na totalidade pelo tribunal”.

O advogado de defesa informou que a outra razão para recorrer é a inconsistência das declarações das vítimas em Oé-Cusse, que prestaram depoimentos diferentes em Díli e em Oé-Cusse. No entanto, o tribunal favoreceu as afirmações feitas na capital.

“Por isso, não estamos satisfeitos. Portanto, vamos apresentar recurso após a leitura da sentença”, frisou.

Miguel Faria informou que o tribunal aplicou de imediato a pena de prisão preventiva por perigo de fuga, pois o ex-padre é cidadão norte-americano e naturalizado na Indonésia.

Daschbach aguardará o processo de recurso em prisão preventiva, em Díli.

A sentença lida pelo juiz, Yudi Pamukas, dita que o suspeito é condenado a oito anos de prisão por crime provado contra a lesada conhecida como L3, conforme previsto no artigo 167.º, n.º 01 do código penal, juntamente com o 162.º, n.º 01 das alíneas a) e d) e o 02.º, n.º 01 e n.º 02, alínea b) e o artigo 35.º, alínea b) da lei contra a violência doméstica.

Mais oito anos de prisão por crime contra a lesada conhecida como L4, previsto no artigo 167.º, n.º 02 do código penal, em conjunto com o artigo 182.º, n.º 01, alíneas a) e d) e o artigo 35.º, alínea b) da lei contra a violência doméstica.

Por crime contra a lesada conhecida como L5, o ex-padre foi condenado a sete anos de prisão, como previsto no artigo 167.º do código penal, conjugadocom o artigo 182.º, n.º 01, alíneas a) e d) e o artigo 02.º do código penal, n.º 01 e n.º 02, alínea b) e o artigo 35.º, alínea b) da lei contra a violência doméstica.

Outros seis anos de prisão por mais dois crimes contra a lesada L5, previstos no artigo 167.º do código penal, n.º 01 e n.º 02 em conjunto com o artigo 182.º, n.º 01, alíneas a) e d) e a alínea b) do artigo 35.º da lei contra a violência doméstica.

O julgamento foi presidido pelo juiz Yudi Pamukas, tendo o Ministério Público sido representado pelo Procurador Mateus Nesse e o arguido recebido assistência jurídica dos advogados privados Miguel Faria e João Ndun.

Como observado pela Agência TATOLI, após a leitura da sentença, houve gritos e choro de crianças do orfanato no tribunal, quando o arguido as informou – à saída – da sua condenação.

Jornalista: Abílio Elo Nini/Tradutor: Afonso do Rosário

Editor: Evaristo Soares Martins

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here