Escritór, Rogério dos Santos

Há 20 anos, Timor-Leste apresentou-se ao mundo como um País independente e soberano. O seu povo é corajoso, batalhador e vencedor. Um povo que decidiu o seu próprio destino num período amargo e não tinha recursos para se defender e manter a sobrevivência como um Povo e uma Nação. Era um povo inexperiente em tudo,  mas teve coragem de assumir as consequências. Um povo que aceitou todas as calamidades provocadas por uma guerra desenfreada, a perda dos seus bens pessoais e até da própria vida de familiares, amigos, vizinhos…

O povo sabia também que os invasores iriam destruir as cidades, as florestas e vidas humanas com armas pesadas em todas as frentes. Mas, o que aconteceu, é que, no fim da guerra, foram resumidos todos os estragos e perdas humanas em poucas palavras, a chamada Reconciliação. Esta palavra surgiu num momento dificil, mas aceitável, extraída no Catecismo da Igreja Católica (1420-1532).

Estamos às portas, mais uma vez, das eleições presidenciais, marcadas- exatamente para o dia 19 de março deste ano. Temos ainda as parlamentares no próximo ano, 2023.

Neste relvado democrático, assim o devo chamar, o povo de Timor-Leste irá novamente escolher com confiança e determinação a sua mais alta figura, o Presidente da  República. Já aconteceram quatro eleições presidenciais ao longo dos vinte anos de história da independência do país.

O Presidente da República é símbolo máximo do Estado. É a primeira figura institucional do panorama político nacional e representa Timor-Leste no plano internacional. É uma figura central de um Estado soberano. O Presidente da República representa a voz coletiva do povo, garante da independência nacional, da unidade do Estado e o funcionamento regular das instituições democráticas e Comandante Supremo das Forças Armadas por enerência. O Presidente da República possui poder de soberania efetivo e não é decorativo como muitas pessoas acharam.

O Presidente da República não é um cidadão comum, ele tem deveres especiais inscritos na Constituição da RDTL, no Artigo 74.º.

Desta vez, os candidatos para o Presidente da República são mais de uma dezena, temos homens e mulheres com excelentes capacidades intelectuais, preparados, incluindo o atual presidente da República, Dr. Francisco Guterres “Luolo” e o ex-Presidente da República Dr. José Manuel Ramos Horta. Estes candidatos, uns são elementos de partidos e outros concorrem como independentes. Todos querem ser a figura N.º1 de Timor-Leste e ganhar uma porção do bolo preparado pela Comissão Nacional das Eleições (CNE).

Será que o povo tem noção dos candidatos oficialmente apresentados e os seus compromissos políticos? Tudo indica que todos, têm os seus compromissos políticos como qualquer candidato político no mundo. Mas quem poderá cumprir fielmente as suas promessas? Os homens ou as mulheres? Ninguém pode suspeitar de ninguém e ninguém pode ler o pensamento de ninguém. Só saberemos nos resultados finais e assistiremos, mais tarde, quem subirá os degraus do Palácio do Presidente Nicolau Lobato.

Todos os candidatos, desde os mais jovens até os menos jovens, querem ocupar a cadeira da pessoa N.º1 de Timor-Leste. A democracia ajuda a abrir o caminho para uma competição democrática.

Porém, ser Presidente da República não é apenas cortar fitas ou realizar um ato humanitário como muitos pensam ou simplesmente para preencher o currículo e ganhar fama cultural e familiar. É um cargo que exige seriedade e uma ponderação séria da capacidade pessoal, profissional e sentir o chamamento para servir a Nação com dignidade e não apenas ganhar a fama de ter sido escolhido pelo povo.

As campanhas começarão a partir de Díli até aos Municípios. Os panfletos e as fotografias dos candidatos invadirão a cidade de Díli e as propagandas políticas continuarão a influenciar o povo até às áreas remotas.

O objetivo principal dos candidatos é conquistar a confiança e a simpatia do povo para vencer na próxima eleição presidencial cuja data já fixada por decreto da Presidência, mesmo que, os planos e os programas dos candidatos ainda estejam confusos para o povo. O povo precisa e tem o direito de saber o plano diretor de cada candidato para além dos resultados esperados. Por isso, o povo precisa de saber os programas políticos que pretendem implementar e apostar na capacidade de liderança política e goverenativa dos candidatos.

Acredito que, no período das campanhas, os candidatos irão deixar as suas promessas no seio do povo e prometerão realizar as mesmas quando forem eleitos/as. Mas tudo ainda na base de promessas e os resultados ainda estão para acontecer.

Essa campanha política, já é a quinta vez, que sucede em Timor-Leste, após 20 anos de independência. A maratona da campanha é quase a mesma das anteriores, os compromissos políticos não vão muito além dos que já tinham falado e da visão honesta do bem comum ainda nos coloca em questão. Quem já teve a experiência de governar, pode voltar a fazer uma leitura global do passado, no âmbito de ponderar os pontos fortes e fracos e antecipar os riscos e os novos problemas, que virão a desafiar a capacidade de atuação. Ninguém pode emocionalmente declarar que um Presidente da República não fez nada durante o seu mandato. Se sim ou não, quem pode julgar é o próprio povo na próxima eleição.

Não poderemos deixar cair no esquecimento, o Presidente da República não é apenas o líder máximo das instituições do Estado, de direito democrático, mas a ele compete assegurar as boas relações entre as instituições demoráticas e a capacidade de promover a soliedariedade institucional e o diálogo permanente com os demais órgãos do Estado timorense. E, por falar do Presidente da República, não constatamos apenas como o líder máximo das instituições do Estado, mas antes de mais, devemos questionar a capacidade do líder, da liderança e as suas características.

Entretanto, devo dizer que, não existe liderança sem líder e não existe líder sem liderados, mesmo os líderes não nasceram líderes, porque são criados e preparados ao longo de um processo e ao longo dos anos com as suas experiências.

O líder não é aquele que faz o que esperam dele, mas sim aquele que é capaz de convencer a sociedade, que aquilo que ele pode fazer, é o que deve ser feito.

Será que o nosso futuro Chefe de Estado pode continuar a garantir a soberania de um Estado Democrático? Em principio ninguém pode julgar ninguém e ninguém tem a capacidade mágica de interpretar ninguém. Mas ficamos de olho constante na capacidade de implementação das leis e no uso do poder público como está consagrado na Constituição de Timor-Leste.

Porém, nenhum candidato convenceu os votantes para ganhar na primeira volta conforme havia previsto. Por isso, os dois candidatos dos dois grandes partidos politicos, a CNRT e a Fretilin, voltarão novamente a concorrer no póximo dia 19 de abril de 2022. Aquele que ganhar nesta eleição presidencial será o nosso Presidente da República.

Esperamos que o resultado da segunda volta da eleição do Presidente da República seja realmente fruto da livre consciência de escolha do povo sem interferências mesquinhas quer internas, quer externas.

De: Rogério dos Santos

Assessor Político Diplomático-SECPLP

Rua da Cruz Vermelha 7, 3ª,

1600-052, Lisboa, Portugal

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